Time que vai construir estádio 100% de madeira é exemplo de sustentabilidade

A construção de um estádio 100% de madeira é apenas a “ponta do iceberg” do exemplo de sustentabilidade que o Forest Green Rovers FC (FGR), equipe de Nailsworth que compete na Football League Two, a quarta divisão do futebol inglês, quer passar para o mundo. Tanto a FIFA e a Organização das Nações Unidas (ONU) consideram o clube britânico o mais ambientalmente sustentável de planeta, sendo o único a possuir certificado de neutralidade de emissões de carbono.

Ser carbono neutro significa calcular e monitorar o total das emissões de CO2 que a atividade realizada pela organização está produzindo, além de tentar balancear o resto das emissões por meio da compensação, que engloba atitudes como a compra de créditos de carbono ou a recuperação de florestas em áreas degradadas. Os ingressos para partidas fora de casa do Forest Green Rovers FC, por exemplo, contém a informação da pegada de carbono da viagem de cada torcedor. Trata-se de uma medida que calcula a emissão de CO2 equivalente na atmosfera por pessoa.

Enquanto o Eco Park, arena 100% de madeira, não sai do papel – a previsão é de construí-lo até 2025 –, a equipe treina no estádio New Lawn. Lá, o gramado é totalmente orgânico, irrigado com água da chuva adubado com algas marinhas. A manutenção é completamente manual, sem utilização de produtos químicos. Toda a energia das instalações do estádio vem de fontes limpas, captadas, em sua maioria, por painéis solares, que também alimentam os cortadores de grama.

Foto: Reprodução/Facebook.

O estacionamento do New Lawn possui torres de baterias para recarregar carros elétricos de funcionários e fãs, ainda que o clube incentive os torcedores a usarem o transporte público nos dias de partida da equipe, que tem como principal meta hoje chegar à segunda divisão inglesa, a chamada Championship. Ainda, a atual camisa do clube foi produzida com uma mistura de plástico com carvão de bambu, material que também é usado nas caneleiras dos jogadores.

Ao Globo Esporte, o presidente do clube, Dale Vince, contou que o time se concentrou em três aspectos principais: transporte, energia e comida. Isso porque, de acordo com Vince, aproximadamente 80% da pegada de carbono de um indivíduo vem dessas esferas.

Foi Dale um dos principais responsáveis por tornar o clube uma organização sustentável do ponto de vista ambiental quando, em 2010, tornou-se o maior acionista e presidente da equipe, evitando sua falência. Ele também é empresário e dono da principal patrocinadora do Forest Green Rovers, a companhia de energia Ecotricity.

“Era uma missão de resgate. O Forest Green Rovers estava com dificuldades, em 2010, e dei algum dinheiro para ajudar. Achávamos que seria o suficiente, mas na verdade não foi. No fim do verão, eles me disseram que se eu não assumisse a responsabilidade do clube, ele iria falir. Foi uma decisão clara: o FGR tem mais de 130 anos de existência, é parte importante de sua comunidade. Nem pensei muito, foi uma escolha clara. Vamos salvar o clube”, relatou o cartola em entrevista ao Globo Esporte.

Dieta vegana

Em 2011, o FGR adotou uma dieta sem carne vermelha para o elenco principal e os funcionários do clube. Alguns anos depois, peixes e laticínios foram retirados do cardápio, que se tornou vegano. Os jogadores não são obrigados a manter a dieta fora do trabalho, mas são incentivados e recebem orientação nutricional se optarem por ser vegetarianos em tempo integral.

Aos torcedores também é ofertada somente comida vegana. Mas não pense que se trata de um cardápio “sem graça”. Os fãs têm à disposição as clássicas comidas de estádio: batata frita, hambúrguer, pizza. Tudo, porém, sem nenhum ingrediente de origem animal.

 

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Murilo Basso

Murilo Basso