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Congresso Movergs debate resultados e futuro do setor moveleiro

Durante a semana passada, a Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs) realizou a 30º edição do Congresso Movergs. O evento ocorreu em Bento Gonçalves, atraindo mais de 400 profissionais da cadeia moveleira em busca de informações e insights.

O circuito de palestras iniciou com o economista da Unisinos Marcos Lélis, que apresentou um panorama econômico. O salário médio da indústria moveleira do Rio Grande do Sul é o melhor do Brasil. “Provavelmente em dezembro deste ano e janeiro de 2023 vamos ver uma nova atividade positiva na produção de móveis, podendo crescer em torno de 1,5%”, projetou Lélis. Índices de preços ao produtor e ao consumidor, inflação, saldo de empregos, faturamento, exportações, dados de varejo e produção foram alguns dos outros tópicos abordados pelo especialista.

Na sequência, o economista da XP Investimentos, Rodolfo Margato, trouxe um olhar macro e abrangente sobre os fatores econômicos como economia global, inflação, política monetária, taxa de câmbio e juros, ritmo de crescimento, entre outros. Em sua fala, Margato disse que a tendência é que os juros continuem subindo nos próximos meses nos Estados Unidos e na Europa, mas concorda com Marcos Lélis no que tange a um otimismo a médio prazo. “Nós, da XP, não projetamos contração da atividade econômica mundial, mas um crescimento mais lento. Acreditamos que ao longo de 2022 haverá uma desinflação global. As moedas estão enfraquecendo em relação ao dólar, mas o Real está aguentando bem. Para 2023, gradualmente devemos ter uma recuperação do varejo”, comentou o economista.

Trazendo uma visão do mercado – desde a produção até o relacionamento com clientes, o vice-presidente de Desenvolvimento de Produtos da MadeiraMadeira, Santiago Antoranz Pons, apresentou o case Cabecasa – marca autoral do grupo. Entre os insights, Antoranz ressaltou que o processo de embalagem é ainda muito industrial e focado na capacidade da indústria. “Temos que entender qual é a melhor forma de embalar e a logística até a etapa final, focado no varejo. Pensar como o cliente. O processo de venda não acaba quando o cliente recebe o produto”, afirmou.

Destaque, ainda, para sua consideração sobre o poder dos dados, que, segundo ele, são de grande importância para solucionar problemas, criar e otimizar produtos, fazer protótipos, testar vendas, entre outras aplicações que beneficiam o desempenho das empresas.

Com uma abordagem sócio-política, o filósofo Luiz Felipe Pondé provou que reflexões humanizadas podem ser valiosas para o meio corporativo. Discutindo o desafio da mudança, Pondé frisou que não existem soluções imediatas. Às vezes, elas aparecem no desenvolvimento do processo. “O mundo corporativo é uma unidade social sob forte controle. É um dos territórios mais investigados e onde você tem percepções mais claras sobre problemas e como solucioná-los”, refletiu.

O encerramento do evento ficou com o CEO do Rock in Rio, Luis Justo, que focou na economia da experiência. Durante sua fala inspiradora, relembrou a trajetória do festival criado por Roberto Medina em 1985 – hoje o maior do Brasil, reunindo os principais artistas do planeta. “Quando cheguei, achei que nosso negócio fosse vender ingressos. Hoje a proposta de valor do festival é proporcionar experiências inesquecíveis através da música e do entretenimento”, contou. “É difícil entender a proposta de valor, pois muitas vezes ela é confundida com produto ou serviço. Vocês podem pensar que vendem apenas móveis, mas não é verdade”, completou Justo com uma provocação para que os participantes reflitam sobre o posicionamento das suas empresas.

O 30º Congresso Movergs foi uma realização da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul com apoio do Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis); Messem Investimentos XP e Sebrae.

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